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| A Natureza Humana da Paixão |
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Este texto foi baseado no artigo da Dra. em Antropologia Helen Fisher, entitulado "The Drive to Love", no qual ela explica o que está por trás dos sentimentos relacionados a paixão.Orfeu e Eurídice, Aberlado e Heloísa, Tristão e Isolda, Shiva e Sati: centenas de poemas românticos, músicas e estórias vindas através dos séculos da Europa, do Oriente Médio, Japão, China, Índia e qualquer outra sociedade que tenha deixado registros escritos ou orais. Em uma pesquisa entre 166 culturas variadas, antropologistas descobriram evidências de "amor romântico" em 147 delas. Não que houvesse dados negativos sobre o amor romântico nas 19 culturas restantes, os pesquisadores apenas falharam em examinar esse aspecto da vida das pessoas nessas regiões. Estudos psicologicos indicam que o amor romântico é associado com uma discreta constelação de emoções, motivações e comportamentos. Ele começa quando um individuo passa a considerar um outro como especial e único, passando a focar sua atenção intensamente nessa pessoa, engrandecendo as melhores qualidades do amado e minimizando seus defeitos. A pessoa apaixonada então experiencia extrema energia, hiperatividade, insônia, impulsividade, euforia, e alterações de humor. Ela se torna fortemente motivada a conquistar seu ou sua amada. As adversidades aumentam sua paixão, entrando num estágio conhecido como "efeito Romeu e Julieta" ou "atração frustrada". Os apaixonados se tornam emocionalmente dependentes do relacionamento. Eles reordenam suas prioridades diárias para permanecer em contato com seus amados e experimentam uma espécie de ansiedade estressante quando estão separados. Muitos deles sentem uma forte empatia por seus amores e muitos relatam que morreriam por seus amados. Baseando-se nas poesias mundiais, mitos, lendas, muitos relatos antropológicos e psicológicos, pode-se dizer que o amor é uma caracteristica humana universal. Dados recentes sugerem que o sistema cerebral está associado primariamente com uma elevada atividade de dopamina nos mecanismos de recompensa do cérebro. Mais provavelmente, também está associado com uma atividade elevada de norepinefrina central e com uma supressão na atividade de serotonina central, bem como outros sistemas cerebrais agindo juntos produzindo a gama de emoções, motivações, cognições, e comportamentos comuns as amor romântico. No estudo de Helen Fisher, homens e mulheres entre 18 e 26 anos que estavam "perdidamente apaixonados" nso últimos 7 meses, recebiam uma foto de seus amados e outra foto de um conhecido emocionalmente neutro. Cada vez que olhavam a foto de seu objeto de desejo, tinham sua atividade cerebral analisada através de imagem por ressonância magnética. Seguia-se a isso um momento de distração para que passasse este memento de forte emoção e a foto de emoção neutra era mostrada, medindo-se novamente a atividade cerebral. Os resultados foram intrigantes: a ocorrência de ativações cerebrais dos indivíduos estudados para quando olhavam a foto dos amados se deu em várias regiões, ligadas principalmente a liberação de dopamina, substância associada a sensação de prazer, excitação, atenção e motivação para buscar e adquirir recompensas. Interessantemente, a mesma região ativada no cérebro dos apaixonados é aquela que está ligada ao uso de cocaína, ou seja, a droga ativa alguns dos mesmos circuitos do cérebro associados à paixão. A paixão então funciona como um vício e, como um, a medida em que o indivíduo apaixonado entra em contato com seu objeto desejo ou ouve sua voz ou vê uma fotografia ou até mesmo pensa em seu ou sua amada, libera-se mais dopamina e todos os sentimentos e sensações citados anteriormente continuam presentes, fazendo-se constante e gradativamente maior a vontade de estar junto da pessoa amada. Euforia, obsessão, compulsão, distorção da realidade, mudanças na personalidade, dependência física e emocional... são alguns dos sentimentos que estudos mostram estar associados à paixão. Por isso a paixão foi considerada pelos psicologos como um vício. Embora esse estudo apoie a hipótese dos psicólogos de que a paixão é um vício, ele não explica por que nos apaixonamos por uma pessoa e não por outra. Acontece que esse segundo tema está relacionado a fatores ambientais e sociais. O fato é que a maioria dos homens e mulheres se apaixonam por indivíduos que têm atitudes, expectativas, valores, interesses e até mesmo beleza semelhantes aos seus próprios. Além disso, é mais provável que você vá gostar de alguém com uma educação, religião, situação social e econômica parecidas com a sua. Isso se torna uma descoberta muito importante a medida que o artigo de Helen Fisher mostra que a paixão avassaladora e viciante relacionada ao sistema neurotransmissor do início do relacionamento tende a ter uma duração específica. Ao longo do relacionamento, é comum que a paixão vá ficando menos intensa e passe a ser substituída por um amor mais calmo e estável. Cientistas e pesquisadores especializados em relacionamentos íntimos acreditam que isso está diretamente relacionado a Teoria da Evolução: num primeiro estágio, o da paixão, a dopamina que é um estimulante natural está sendo liberada com frequência e isso torna o sexo mais frequente , ou seja, as chances de procriação são maiores. O segundo estágio seria quando a paixão vai sendo substituída pelo amor estável que é mais maduro e por isso melhor para que os pais possam criar os filhos. Enfim, o amor é inconstante, mas natural ao ser humano. Em todos os cantos as pessoas cantam por amor, trabalham por amor, vivem por amor, morrem por amor e matam por amor. Nada poderá extinguir a necessidade humana de amar e ser amado. Saiba mais em: "A paixão é um vício"; Helen Fisher: The Brain in Love and Helen Fisher's Articles. Fonte: Diamond, L. Phychology of Love. The Drive to Love: The Neural Mechanism for Mate Selaction by Helen Fisher.
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